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Comunicação Visual e Design de Informação

TCC em Design Visual da Agatha Marques - Parte 2


Como falei na primeira postagem da série em que compartilho o meu Trabalho de Conclusão de Curso, no primeiro semestre de 2019 eu me dediquei quase que exclusivamente ao desenvolvimento desse projeto. O resultado que obtive foi muito completo e gratificante, e por isso, resolvi compartilhá-lo em tópicos com todos que tiverem interesse.


Tinha como objetivo criar um Infográfico Digital Interativo que auxiliasse músicos independentes a melhorar sua comunicação nas redes sociais, através de ensinamentos sobre marketing digital. Para chegar ao resultado final estudei diversas áreas de conhecimento. Na postagem anterior compartilhei minha pesquisa sobre Marketing Digital, hoje compartilho meu estudo sobre Comunicação Visual e Design de Informação, ambas áreas muito relevantes para o desenvolvimento de projetos de design digital.


O infográfico final que produzi pode ser visualizado no meu Portfólio Online e caso tenham interesse de ler o artigo na íntegra, podem acessar diretamente clicanco aqui.



COMUNICAÇÃO VISUAL


Segundo o dicionário de língua portuguesa Michaelis (2018), a palavra comunicação pode ser entendida como


o ato que envolve a transmissão e a recepção de mensagens entre um transmissor e um receptor, através da linguagem oral, escrita ou gestual, por meio de sistemas convencionados de signos e símbolos.

Desde os tempos mais primórdios o homem sente a necessidade de se comunicar, mesmo não sendo possível de maneira verbal, visto as pinturas rupestres oriundas da Idade da Pedra Lascada. Tendo o homem evoluído e se tornado um ser civilizado, os sistemas de comunicação acompanharam essa evolução, de acordo com as necessidades previstas durante o processo (PANIZZA, 2004).


Para nos comunicarmos transmitimos mensagens, e para uma mensagem ser transmitida é necessário que haja um agente transmissor (aquele que emite a mensagem) e um receptor (aquele que recebe a mensagem). Há, no entretanto, perturbações durante esse processo que podem fazer com que a mensagem seja entregue de maneira distorcida, ou até mesmo pode fazer com que essa mensagem não seja percebida pelo receptor. Cada receptor é diferente e pode possuir filtros quanto às mensagens recebidas, podendo ser de caráter sensorial, funcional ou cultural. Essas dificuldades na transmissão da mensagem também podem estar ligadas aos ruídos existentes no ambiente em que o receptor está inserido (MUNARI, 1997). Convergindo com esse pensamento, Dondis (2007) afirma que todas as experiências visuais estão fortemente sujeitas a interpretações peculiares, devido a diversidade de vivências e culturas de cada indivíduo.


Representação do processo de transmissão da mensagem segundo Munari.



Frascara (2004), define comunicação visual como


ação de conceber, programar, projetar e realizar comunicações visuais que são geralmente produzidas através de meios industriais e são destinadas a transmitir mensagens específicas para setores específicos do público.

O autor afirma ainda que essa atividade visa impactar o conhecimento, as atitudes e o comportamento do público a que é direcionada.


Já segundo Munari (1997), é um meio insubstituível de transmitir informações de um emissor a um receptor, mas as condições fundamentais do seu funcionamento dependem da exatidão das informações, a objetividade dos sinais, a codificação unitária e a ausência de falsas interpretações. Muitos podem ser os meios como é transmitida uma mensagem através da comunicação visual e como a percebemos. Estamos cercados por informações por toda a parte, de modo desordenado e contínuo. Deste modo, a comunicação visual procura definir qual a relação mais exata possível entre informação e suporte. Ainda segundo o autor:


Praticamente tudo que nossos olhos vêem é comunicação visual; uma nuvem, uma flor, um desenho técnico, um sapato, um cartaz, uma libélula, um telegrama (excluindo o conteúdo), uma bandeira. Imagens que, como todas as outras, têm um valor diferente segundo o contexto em que são inseridas, dando informações diferentes. (MUNARI, 1997, p. 65).

De acordo com Frascara (2004), a comunicação visual é de grande relevância quando aplicada na área do ensino, para que haja uma compreensão das informações transmitidas por um público que, na maioria das vezes, não tem um conhecimento anterior sobre o assunto. Para isso, é fundamental que haja planejamento e estruturação para que seja criada uma mensagem visual eficaz, sendo primordial a organização das informações tanto textuais quanto gráficas para que o resultado seja adequado, atrativo e direto ao receptor desta mensagem. Lupton (2008) complementa a importância do estudo na área afirmando:


Num mundo complexo, filtrado por camadas de sinais visuais, verbais e sensoriais, uma comunicação visual clara e vigorosa é essencial. Um design impecável não apenas nos ajuda a dar sentido às nossas vidas, como por tornar nossa experiência prazerosa (LUPTON e PHILLIPS, 2008, p. 13).

Segundo Dondis (2007) as composições visuais são resultado das intenções do criador da mensagem, onde é criado um design a partir da utilização e da interação de diferentes elementos, inúmeras cores, formas, texturas, tons e proporções relativas, proporcionando assim, um significado ao receptor. Munari (1997) distingue ainda a comunicação visual em casual e intencional, sendo a primeira livremente interpretada pelo receptor, podendo ser influenciada pelo conhecimento e vivência prévias e até mesmo pelos diferentes tipos de conexões que ele pode realizar de acordo com essa mensagem. Em contrapartida, a comunicação visual intencional tem um propósito intrínseco e deve ser recebida em sua totalidade de significado pretendido pelo emissor.


De acordo com Munari (1997) as mensagens podem ser ser divididas em dois componentes como pode ser visualizado na Figura a seguir, sendo o primeiro informação, que pode ser entendido como a informação propriamente dita, transportada pela mensagem; e o segundo suporte visual, entendendo-se pelo conjunto de elementos que tornam a mensagem visível, sendo todas as partes que podem ser utilizadas para entendimento e coerência que se tem em relação à informação (Textura, Forma, Estrutura, Módulo e Movimento).


Fluxograma da Decomposição da mensagem segundo Munari.



Dondis (2007), reinterpretando a Teoria de Kandinsky, indica alguns elementos básicos para a composição de mensagens visuais, que mesmo parecendo simples em uma primeira impressão, podem ser utilizados e combinados formando elementos visuais complexos.


Estes elementos são:


  • Ponto: Considerada a unidade de comunicação visual mais simples e irredutível, possui um grande poder de atração visual, podendo até mesmo, de acordo com a organização dos elementos, conduzir o olhar sobre um determinado fluxo de leitura. Aprendemos a utilizá-lo desde cedo como um marcador de referência para criação de formas complexas ou para medir uma distância em uma folha de papel. Justapostos em grande número e em diferentes tamanhos criam a ilusão visual de tom ou de degradê de cores, muito utilizada para criação de obras conhecidas pela técnica pontilhismo.


  • Linha: O autor a define como “a história do movimento de um ponto, pois quando é feito uma marca contínua, ou uma linha, o procedimento se resume a colocar um marcador de pontos sobre uma superfície e movê-lo segundo uma determinada trajetória, de tal forma que as marcas assim formadas se convertam em registro”. No campo das artes visuais, reforça a liberdade de experimentação, por ser considerado um elemento inquieto. É utilizado principalmente para expressar a justaposição de dois tons.


  • Forma: O quadrado, o círculo e o triângulo equilátero são considerados as três formas básicas, sendo figuras planas e simples com características específicas, tendo vinculada a cada uma delas percepções psicológicas e fisiológicas próprias. A partir da combinação e variação dessas três formas, é possível criar inúmeras formas diferenciadas.


  • Direção: As formas básicas expressam três direções visuais básicas e significativas: o quadrado, a horizontal e a vertical; o triângulo, a diagonal; o círculo, a curva. Está interligado com a ideia de estabilidade visual.



  • Tom: Oticamente distinguimos as complexidades da informação visual exposto nos ambientes através das variações de luz e de tom. As diferentes tonalidades que podemos observar na natureza são ditas provenientes da luz natural, diferente das tonalidades presentes nas artes gráficas, pintura, fotografia e cinema, que são, em sua maioria, oriundas de componentes artificiais, criados para simular o tom natural.


  • Cor: A utilização das cores é uma ferramenta de grande utilidade para o alfabetismo visual, pois cada cor é portadora de inúmeros significados associativos e simbólicos universais.


  • Textura: Elemento que fisicamente pode ser apreciado através tanto do tato quanto da visão, ou até mesmo com a combinação de ambos os sentidos.


  • Escala: São ditas como pistas visuais que podem ser estabelecidas através tanto do tamanho relativo das figuras ou elementos, quando através das relações com o ambiente. Elemento muito utilizado em mapas para representar medidas proporcionais às reais.


  • Dimensão: O autor defende que a dimensão existe apenas no mundo real. Nos formatos visuais bidimensionais ela depende do artifício da ilusão para ser percebida. Um recurso utilizado para simulá-la é a perspectiva, podendo ser intensificada através da utilização de técnicas de luz e sombra (claro e escuro).


  • Movimento: É uma ação que está presente na informação visual estática de maneira muitas vezes sutil. Segundo o autor esse elemento “é mais difícil de conseguir sem que ao mesmo tempo se distorça a realidade, mas está implícita em tudo aquilo que vemos, e deriva de nossa experiência completa de movimento na vida”.




DESIGN DE INFORMAÇÃO


Segundo Meirelles (2013) design de informação são práticas de design de comunicação em que o objetivo principal é informar, revelando padrões e relacionamentos não conhecidos ou não tão facilmente deduzidos sem o auxílio da representação visual da informação. Jacobson (1999) o define como


a arte e a ciência da preparação da informação para que ela possa ser usada pelos seres humanos com eficiência e eficácia.

Segundo o autor, seus principais objetivos são:

  • Desenvolver materiais compreensíveis e fáceis de serem interpretados e transformados em ações efetivas;

  • Desenvolver soluções de problema em interfaces homem-computador, tornando interações fáceis, agradáveis e naturais;

  • Permitir que o usuário encontre o caminho correto de maneira confortável e fácil, tanto em espaços tridimensionais quanto virtuais.

De acordo com Shedroff (1994), essa área tem um importante papel na análise e organização de informações complexas, transformando-as em uma mensagem clara para o receptor. Frascara (2004) afirma:


O design da informação consiste em duas etapas distintas: a organização da informação e o planejamento de sua apresentação visual. Essas tarefas exigem a capacidade de processar, organizar e apresentar informações em formas verbais e não verbais. A organização da informação requer uma boa compreensão de estruturas lógicas e processos cognitivos. A apresentação visual da informação requer sólido conhecimento da legibilidade dos símbolos, letras, palavras, frases e textos. Também requer um profundo conhecimento da capacidade informacional das imagens e de sua efetiva articulação com os textos (FRASCARA, 2004, p. 130, tradução nossa).

O design de informação ainda pode auxiliar o campo cognitivo nos seguintes aspectos: gravar informações, transmitir significado, aumentar a memória de trabalho, facilitar a pesquisa, facilitar a descoberta, apoiar a inferência perceptiva, melhorar a detecção e reconhecimento, fornecer modelos de mundos reais e teóricos e também fornecer manipulação de dados (MEIRELLES, 2013).


Segundo Meirelles (2013), os sistemas hierárquicos são importantes aliados na estratégia do design de informação, devido a organização e relação que os elementos dos conjuntos possuem tanto entre si quanto em relação ao todo. Esses relacionamentos podem variar de acordo com o domínio de campo e o tipo de sistema, mas, em geral, podem ser descritos pelas propriedades dos elementos e pelas leis que os governam. Ainda segundo a autora, os principais sistemas utilizados nessa área são:

  • Representação: A representação de estruturas hierárquicas pode acontecer através de sistemas empilhados e aninhados, sendo o primeiro, organizado em relação direcional, muitas vezes havendo linhas de conexão entre os elementos, fazendo com que seja sugerida uma direção de leitura. Já os sistemas aninhados costumam ser mais geométricos, utilizando conjuntos conhecidos como árvore de cones e vistas hiperbólicas.

Estruturas Hierárquicas: Representação. As figuras fornecem um resumo das estruturas hierárquicas usadas em diversos campos ao longo do tempo.



  • Hierarquia visual: É importante termos codificações visuais hierárquicas bem definidas principalmente para ter-se o discernimento e a ênfase das informações mais relevantes, assim como a possibilidade de guiar o olhar em uma determinada direção de leitura.


  • Codificação espacial: É o centro de como é construída a visualização de dados devido ao fato de proporções e relações estarem sujeitas às limitações e representatividade espaciais.

Estruturas Hierárquicas: Codificação espacial.


  • Percepção espacial e cognitiva: O sistema perceptivo visual humano, apesar de visualizar a informação de modo simultâneo, essa informação é lida de maneira fragmentada, do menor ao maior processo cognitivo. O primeiro estágio desse processo é realizado através de um processamento rápido para extração de informações básicas, seguido de um um processamento lento para reconhecimento de padrões e estruturas, finalizando com um processamento orientado por objetivos, com informações reduzidas, armazenando-as na memória visual para formar uma base de pensamento.

Estruturas Hierárquicas: Percepção espacial e cognitiva. Recursos que podem ser utilizados para chamar atenção, mostrando métodos para linhas e planos.




Conta pra gente o que tu achou desse conteúdo. E se ficou interessado, continua ligado aqui no nosso blog que amanhã iremos compartilhar a continuação, falando sobre Design Instrucional.




BIBLIOGRAFIA


DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 2007.


FRASCARA, Jorge. Communication design: principles, methods, and practice. New York: Allworth Press, 2004.


JACOBSON, Robert. Information design. Cambridge (MA): The MIT Press, 1999.


LUPTON, Ellen; PHILLIPS, Jennifer Cole. Novos Fundamentos do Design. São Paulo: Cosac Naify, 2ª ed., 2008.


MEIRELLES, Isabel. Design for Information: An introduction to the histories, theories, and best practices behind effective information visualizations. Beverly: Rockport Publishers, 2013.


Michaelis. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. 2018. Disponível em: <https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/comunica%C3%A7%C3%A3o/>. Acesso em: 26 de setembro de 2018.


MUNARI, Bruno. Design e Comunicação: contribuição para uma metodologia didática. São Paulo: Martins Fontes, 1997.


SHEDROFF, Nathan. Information Interaction Design: A Unified Field Theory of Design. 1994; Disponível em <http://nathan.com/information-interaction-design-a-unified-fieldtheory-of-design/>. Acesso em: 08 de setembro de 2018.


PANIZZA, Janaina Fuentes. Metodologia e processo criativo em projetos de comunicação visual. 2004. 248f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) - Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.


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