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Infográficos

TCC em Design Visual da Agatha Marques - Parte 4


Em mais uma postagem da série em que compartilho o estudo do meu Trabalho de Conclusão de Curso, hoje trago o estudo sobre Infográficos, falando sobre o histórico, seus componentes e tipologias.


Como comentei nas postagens anteriores, esse texto faz parte do desenvolvimento do meu TCC para formação no Curso de Design Visual da UFRGS. O resultado final desse projeto pode ser visualizado no meu portfólio online (https://www.behance.net/gallery/94518143/Infografico-Digital-Interativo) e caso tenham interesse de ler o artigo na íntegra, podem acessar diretamente nesse link: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/199465



INFOGRÁFICOS


Segundo Martin (2018), o infográfico é uma ferramenta que se tornou muito popular em sites de marketing de conteúdo devido a sua capacidade de transmitir informações de maneira fácil e visualmente atrativa, sendo ainda comumente compartilhado em redes sociais. Mediante a importância deste tema, nos tópicos a seguir serão analisados conceito, histórico e a relevância que esta ferramenta possui no design de informação, para que haja uma melhor compreensão sobre o assunto e para que se possa desenvolver um material adequado a proposta.


Definição


Diversos autores divergem quanto a significação do termo infográfico, tendo definições de formas distintas, não existindo uma definição única (BORRÁS; CARITÁ, 2000). A palavra “infográfico” provém de infographic, de origem norte-americana, em que une os radicais info + graphic. A raíz “info” se torna ambígua neste ponto, pois alguns autores o entendem como origem da palavra informação e outros da palavra informática. Os autores que entendem o radical info como oriundo de “informática”, definem o termo infográfico como técnicas de computação gráfica que editam imagens, aliando-as a textos. Já os autores que entendem que esse radical se origina da palavra “informação”, o definem como uma contribuição informativa, feito com elementos icônicos e tipográficas, que permite ou facilita a compreensão de eventos, ações ou elementos presentes ou alguns dos seus aspectos mais significativos e acompanha ou substitui o texto informativo (FERREIRO; LÓPEZ; GARCIA, 2007).


Por acreditar ser mais adequado ao objetivo do projeto proposto, seguirei a linha de pensamento relativo a autores que entendem o radical info como oriundo do termo informação. Rajamanickam (2005) define infográficos como sendo materiais tradicionalmente vistos como elementos visuais, como gráficos, mapas ou diagramas que auxiliam na compreensão de um determinado conteúdo baseado em texto. Já segundo Krum (2014) o termo Infográfico está profundamente ligado ao termo “visualização de dados” (mais comumente conhecido pelo termo em inglês data visualization), muitas vezes sendo utilizado inclusive como sinônimo, o que segundo ele, não está correto. O termo data visualization compreende a informação de dados numéricos que geralmente fazem algum comparativo entre si, sendo apresentados em gráficos que podem ser visualizados e entendidos rapidamente. Já os infográficos apresentam informações mais profundas, além de dados numéricos, trazem informações com intenção de ensino, combinando data visualization a imagens, ilustrações e textos, contando uma história ao leitor. Martin (2018) afirma:


Um infográfico é um gráfico multimídia que visa apresentar informações e dados complexos de uma maneira fácil de entender. Os infográficos geralmente incluem dados ou (mais raramente) visualizações de informações, mas também fornecem contexto na forma de ilustrações, fatos, citações e legendas. Assim, um infográfico pode se sustentar sozinho como uma parte separada do conteúdo (embora também possa ser mostrado no contexto de um artigo com texto adicional) (MARTIN, 2018).

Este tipo de material gráfico pode ser utilizado como uma ferramenta fortemente aliada ao aprendizado humano e a técnicas de instrução, pois, segundo Krum (2014), combinar informações textuais a imagens relevantes faz com que lembremos de até 65% da informação três dias após visualizar a mensagem, enquanto a mesma informação visualizada apenas de modo textual diminui a lembrança da informação para até 10% no mesmo período de tempo. Também conforme visto nos tópicos sobre Design Instrucional e o Processo Cognitivo e Utilização de Multimídia no Design Instrucional, a utilização de imagens, exemplificando e complementando informações textuais (ou vice-versa), auxiliam o processamento cognitivo e a aprendizagem.


Histórico


Os infográficos tiveram origem na Idade da Pedra, onde os primeiros seres humanos pintavam suas histórias na parede com o desejo de se comunicarem melhor e de deixar suas histórias marcadas (COELLO, 1998). Segundo Kanno (2008) os infográficos modernos, como o conhecemos hoje, tiveram sua origem por volta de 1801 com o primeiro gráfico do estilo pizza, criado por William Playfair, e com o primeiro mapa geológico que representava a Inglaterra e o País de Gales, desenvolvido por William Smith.


Gráfico de Pizza Circular de William Playfair.



O primeiro mapa geológico da Inglaterra e do País de Gales desenvolveu um padrão para a cartografia geológica. Também conhecido como o “mapa que mudou o mundo” (para os geólogos, pelo menos). Desenhado em 1801 por William Smith.


Desde então, a importância dos infográficos só tem aumentado, assim como sua utilização em projetos informativos. Alguns momentos e criações podem ser destacados no histórico da infografia, como o gráfico de informações desenvolvido pela enfermeira inglesa Florence Nightingale, em 1857, utilizado para persuadir a rainha Vitória a melhorar as condições nos hospitais militares, onde era possível visualizar o número e as causas de mortes durante cada mês da Guerra da Criméia (VISUALLY, 2012).


Infográfico de 1857 mostrando número e as causas de mortes durante cada mês da Guerra da Criméia: doenças evitáveis em azul, feridas em vermelho e outras causas em preto.


Em 1854, o médico John Snow identificou que a cólera era transmitida pela água e não pelo ar (como acreditava-se na época), através de um mapeamento de casos em um mapa reconhecido até os dias atuais como um importante meio de comprovação científica (MEIRELLES, 2013). Já em 1861, Charles Joseph Minard desenvolveu o mapeamento da mal sucedida campanha do exército de Napoleão durante a Campanha Russa de 1812, que é considerado por muitos autores o melhor gráfico estatístico já desenhado (RAJAMANICKAM, 2005).

Mapeamento de casos de cólera realizado por John Snow em 1854.


Infográfico de Charles Joseph Minard. A largura do trajeto é proporcional ao número de soldados sobreviventes na campanha de guerra. Em marrom claro o caminho de ida e, em preto, a volta.



Outro momento importante na infografia foi o desenvolvimento do Isotype (International System of Typographic Picture Education) pelo sociólogo e economista político Otto Neurath no final da década de 1920, que consistiu na criação de um sistema padronizado de símbolos, com objetivo de explicar informações complexas a pessoas sem instrução. Na linguagem, elementos ou pictogramas foram reduzidos ao menor detalhe possível do que eles representavam, sendo um marco no design gráfico, influenciando até hoje os sinais de trânsito e a simbologia universal (RAJAMANICKAM, 2005).


Sistema Isotype desenvolvido por Otto Neurath.


O mapa do metrô de Londres, conhecido como London Underground, também é uma importante obra relacionada a infografia. Desenvolvido em 1933 pelo engenheiro Harry Beck, o material solucionou um problema complexo do entendimento de funcionamento das linhas de metrô da cidade, transformando um mapa com informações geográficas irrelevantes aos usuários, em um diagrama simples, organizado e objetivo (MCWHINNIE, 2014).


Mapa do metrô de Londres. À esquerda a primeira versão, à direita a versão de Harry Back.


Além desses casos, a infografia tem sido amplamente utilizada também como ferramenta auxiliar a conteúdos jornalísticos, tanto em mídias impressas quanto digitais, mostrando sua importância para a disseminação de informação. Segundo Martin (2018), alguns erros comumentes aplicados no desenvolvimento de infográficos e devem ser evitados, como: uso de elementos visuais que distraem o usuário, escalas distorcidas, parágrafos muito extensos e hierarquia de informação pouco clara.


Componentes de infográficos


Muitos autores divergem sobre quais são especificamente os elementos esquemáticos, verbais e pictóricos que formam um infográfico e o torne um material completo. Roam (2008) propõem um método chamado Regra de 6W’s de pensamento visual, trazendo questões que podem ser respondidas visualmente de maneira apropriada. Essa regra consiste em seis diferentes tipos de informação, denominados “o que nós vemos”. As questões a serem respondidas, segundo o autor são:


  • Who/What? (Quem/o quê?);

  • How many/How much? (Quanto?);

  • Where? (Onde?);

  • When? (Quando?);

  • How? (Como?);

  • Why? (Por quê?).

A Tabela a seguir mostra como as respostas a essas perguntas podem ser estruturadas.


Estrutura da Regra dos 6W’s.


De acordo com Rajamanickam (2005) os elementos utilizados nos infográficos podem ser divididos em 3 grupos, sendo eles:

  • Diagramas: Podendo apresentar ícones, sequências, processos, linha do tempo e exposição de detalhes e pontos de vista.

  • Mapas: Pode representar localização, dados e esquemas.

  • Gráficos: Podendo ser dos tipos fluxo, barra, pizza e organização.

Leturia (1998) cita alguns elementos fundamentais para que o infográfico seja completo e transmita confiança ao usuário:

  • Título: Deve ser direto e expor o conteúdo apresentado no infográfico. A utilização de um subtítulo é opcional.

  • Texto: Deve ser sucinto e fornecer toda a explicação necessária para a compreensão do infográfico. O que não é possível ser demonstrado no corpo do infográfico por meio visual deve, necessariamente, ser explicado através de texto.

  • Corpo: É a essência do infográfico, onde é apresentado toda a informação gráfica utilizada na construção do material.

  • Fonte: Indicação da procedência das informações apresentadas no infográfico, expondo a veracidade do conteúdo do material.

  • Crédito: Nomeia o autor do material.

Exemplo de infográfico completo segundo Leturia (1998). 1 - Título; 2 - Texto; 3 - Corpo; 4 - Fonte; 5 - Crédito.



Tipologia

Há diferentes maneiras de classificar os infográficos, sendo pelo linguagem visual, seu meio de divulgação ou pelo tipo de conteúdo informado. De acordo com Colle (2004), com relação a linguagem visual, há as seguintes categorias:

  • Diagrama: Informa gráficos com auxílio de pictogramas. É um dos tipos mais comuns de infográfico.

  • Iluminista: Possui textos blocados, que são a parte mais importante do material, acompanhados de ilustrações ou iconografias.

  • Mapa: Podem ser de caráter econômico ou até mesmo turísticos. Utiliza-se pouco texto e comumente é utilizada iconografias como referência de localização.

  • Infográficos de 1º nível: É composto basicamente de título, texto âncora e ilustração.


  • Infográficos de 2º nível: Semelhante ao de 1º nível, mas o texto é apresentado de maneira dinâmica, aproximando-se da ilustração.

  • Sequências espaço-temporais: Acompanha o desenvolvimento de um evento, representada como uma sequência temporal.

  • Mistos: Há infográficos que podem ser classificados como mais de uma das tipologias citadas anteriormente.

  • Megagráficos: São infográficos mais complexos, com mais informações, que no meio jornalístico impresso, costuma ocupar 2 páginas completas.

Segundo Krum (2014), para infográficos digitais, podemos classificá-los de acordo com as seguintes mídias e níveis de complexidade:

  • Estáticos: Esse tipo de infográfico é facilmente compartilhável no meio digital, não precisando de nenhum recurso específico para visualizá-lo, além de um leitor de pdf ou de imagem.

  • Zooming: Este tipo de infográfico é geralmente utilizado para materiais grandes, onde a informação fica pouco clara no espaço disponível em uma tela de computador ou dispositivo móvel. Dispõem de um sistema interativo onde é possível aumentar a informação desejada, possibilitando a melhor leitura dos detalhes. Clique aqui para ver um exemplo (Based on a True True Story? Scene by scene breakdown of Hollywood Films).

  • Clicáveis: Costumam utilizar interfaces estáticas, mas possuem regiões clicáveis através de um código html, onde cada clique abre um pop-up com a informação complementar. É um meio de deixar o infográfico original com um layout mais limpo e simples, d ando ao leitor a opção de ler apenas a informação que o interessa. Clique aqui para ver um exemplo (Music Map Info).

  • Animados: Cria movimentações ou mudanças no design para exemplificar as informações descritas, podendo ser o aumento das barras de um gráfico, uma mudança de cor ou mesmo a animação de um personagem. É necessário acessar um link específico para visualizá-lo. Se diferencia do próximo tipo (vídeo) pelo fato de ser animado com linguagem html ou gif e não sendo um arquivo de vídeo. Clique aqui para ver um exemplo (Cheetah Animagraffs).

  • Vídeos: Este tipo de infográfico é ainda novo, mas vem crescendo com a facilidade de compartilhamento de vídeos no meio digital. Utiliza muito de data visualization e elementos textuais. Clique aqui para ver um exemplo (How do you know if you have a virus?).

  • Interativos: Possuem algum tipo de interação usuário-sistema, fornecendo ao leitor um certo controle sobre a informação exibida. Tem se tornado muito popular pelo fato de engajar o leitor por mais tempo que os infográficos estáticos. Clique aqui para ver um exemplo (Diversity in Tech).


Ainda de acordo com Krum (2014), podemos também classificar os infográficos online de acordo com o assunto:

  • Informativo: Informa um determinado assunto ao leitor sem fazer qualquer tipo de propaganda. A informação presente é valiosa, de senso comum e focada em um tópico direto, o que gera uma maior probabilidade de que esse material seja tido como confiável, e que seu conteúdo seja compartilhado por esses leitores.

  • Persuasivo: Esse tipo de infográfico tenta convencer o leitor a realizar alguma ação após sua leitura. A linguagem e a informação condicionam o leitor a uma opinião pré-determinada, o que pode tornar o leitor resistente à mensagem e até mesmo, acreditar que a informação seja enganosa.

  • Explicativo visual: Ao contrário da maioria dos infográficos, não demonstra estatísticas ou conjunto de dados. Demonstra a explicação de uma ideia, um processo, uma relação ou um conceito complexo, geralmente utilizando ilustrações, diagramas e ícones. Possui 5 etapas, respondendo as perguntas, nessa ordem: “Qual a mensagem principal”, “Qual é o problema?”, “Qual o perigo?”, “Qual a solução?”, “O que eu posso fazer?”.

  • Publicitário: Semelhante ao infográfico persuasivo, mas tem a intenção de levar o leitor a adquirir algum produto ou serviço, educando e informando o cliente em potencial antes do ato da compra. É mais difícil que os leitores compartilhem esse conteúdo, por ser um material de venda, por isso, neste tipo de infográfico, a qualidade do público é mais relevante que a quantidade.

  • Comunicado de imprensa: Possui caráter corporativo, fornecendo informações aos stakeholders ou com intenção de agregar valor à marca.

  • Pôster: O autor define esse tipo de infográfico como sendo a parte estética mais importante que a informação contida nele. Independe de cliente, o próprio designer faz as escolhas de informações e o vende como um produto gráfico.


Se você se interessa por infográficos e por design digital, espero que essa série de postagens seja útil pra vocês. Vale muito a pena conhecer a bibliografia que utilizei, me ajudou muito mesmo no meu processo de elaboração do trabalho.



BIBLIOGRAFIA


BORRÁS, Leticia; CARITÁ, María Aurelia. Infototal, inforrelato e infopincel. Nuevas categorías que caracterizan la infografía como estructura informativa. In: Revista Latina de Comunicación Social. Córdoba, n. 35, 2000. Disponível em <https://www.ull.es/publicaciones/latina/argentina2000/17borras.htm>. Acesso em: 22 de setembro de 2018.


COELLO, José Manuel de Pablos. Siempre ha habido infografía. In: Revista Latina de Comunicación Social. Madrid, vol 5, 1998. Disponível em <https://www.ull.es/publicaciones/latina/a/88depablos.htm> Acesso em: 21 de setembro de 2018.


COLLE, Raymond. Infografía: tipologías. In: Revista Latina de Comunicación Social. Tenerife, n. 57, 2004.


FERREIRO, María Dolores Calvo; LÓPEZ, María Luisa Otero; GARCÍA, Xosé López. El despertar en la prensa escrita: el caso de La Voz de Galicia. In: Estudios sobre el mensaje periodístico. Madrid: vol. 14, p. 329-344, 2008.


KANNO, Mário. Marcos na história da Visualização de Dados. 2008. Disponível em <https://www.scribd.com/document/8447930/Historia-Infografia> Acesso em: 21 de setembro de 2018.


KRUM, Randy. Cool Infographics. Effective Communication with Data Visualization and Design. Indianopolis: Wiley, 2014.


LETURIA, Elio. ¿Qué es infografía?. In: Revista Latina de Comunicación Social. Tenerife, n. 4, 1998. Disponível em: <https://www.ull.es/publicaciones/latina/z8/r4el.htm>. Acesso em: 21 de setembro de 2018.


MARTIN, Lexie. Designing Effective Infographics. 2018. Disponível em: <https://www.nngroup.com/articles/designing-effective-infographics/> Acesso em: 30 de outubro de 2018.


MCWHINNIE, Louise. Sublime design: the London Underground map. 2014. Disponível em: <http://theconversation.com/sublime-design-the-london-underground-map-26240>. Acesso em: 30 de outubro de 2018.


MEIRELLES, Isabel. Design for Information: An introduction to the histories, theories, and best practices behind effective information visualizations. Beverly: Rockport Publishers, 2013.


RAJAMANICKAM, Venkatesh. Infographics Seminar Handout. Ahmedabad e Bombay: National Institute of Design e Institute of Technology, 2005.


ROAM, Dan. The Back of the Napkin: Solving Problems and Selling Ideas with Pictures. London: Portfolio, 2008.


Visually. History of Infographics. 2012. Disponível em: <https://visual.ly/m/history-ofinfographics/>. Acesso em: 30 de setembro de 2018.








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